A vida passa num segundo, e dói ao vermos apagarem-se todas as euforias inocentes da nossa infância e juventude. Dói vermos serem apagadas pessoas e personalidades queridas, quando julgávamos que nos pertenciam para sempre. E todas estas verdades que nos vamos apercebendo ao longo do tempo, que insiste em não abrandar, assombram-nos o futuro e enchem-nos de saudade. Acaba por ser uma tortura. Ocorrem-nos pensamentos fúteis, vontades inconcebíveis. Na verdade, desejarmos nunca termos sido felizes no passado é o melhor troféu que queremos ganhar, a única batalha que falta vencer. Fechar a janela a novas oportunidades de sorrir, centrar no passado promissor. Não passa de uma obsessão. Viver na tristeza tornar-se-á numa doença. A cobardia, o lema de vida. Que humilhação. Que desordem.
Mas não há meio da força crescer, envolver-se no corpo, girar a cabeça, acelerar o coração. Até o amor deixou de ter significado (ou terá demais?).
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