8 de janeiro de 2011

Expressões de Pânico

Espera um segundo que acho que perdi o ponto da situação! Já sei viver um momento de cada vez, ao menos isso. Tenho noção de que sinto falta de! Sou vazia. Estou em manutenção constante, com o coração avariado, com o motor de magias e purpurinas quebrado. Qual sede de viver? Qual incapacidade de lutar? Afinal, qual vida?
O passado ainda toca, um 'ainda' eterno. Sou personalidade em função da história. Umas décadas soam a milénios. Perco-me em devaneios. Devaneio na magoa, procuro-a incansavelmente. Canso-me de perder o rumo, canso-me de fazer sentido. Preocupações soam a balas, melodias assassinas que atingem alvos, qual auto-estima? Um dia, permanece uma semana. Ai o tempo! O tempo piora o estado, que tumor maligno.
Gostava de sentir, tocar. Gostava de sorrir 'sem doer as faces', sem doer a alma. Adrenalina, gosto de adrenalina, impulsos eléctricos explodem como gritos. Sensações apoderam-se dum físico que se sente a irradiar, que se sente a iluminar. Os olhos pintam Gaudi, as minhas danças soletram Florbela Espanca. Que saudade.

Sinto falta de! Esta bala perfurou demais. DEMAIS: não é por acaso que 'saudade' é a única palavra sem tradução noutras línguas, até mesmo da língua do coração.