8 de agosto de 2007

Lê, Interioriza, sussurra


-Eu e tu. Adormecendo no conforto do inexpriente e descansando sobre a insegurança, a incerteza leva até ao limite da aventura.
-Cansa-me esta dor insurdecedora que me apasigua.
Um cheiro, um sabor que me domina num olhar intenso, num som profundo.
Esta saudade que me afoga, que me prende a esta realdade dolorosa.
Quem sente e sofre, vive!
Quem voa, espera e se prende, adormece!
Admira-te, surpreende-te, desilude-te.
Vive.
Mas, foi bastante depois de ter levado esta vida avante. Ter destruido o desassocego das tuas lágrimas.
-Eu levantei-me. Reparei: pela primeira vez tive o direito de me sentir a cima de ti, só para te poder dar e mão e te ajudar a levantar, a sair do tédio caloroso do teu próprio silêncio.
Esse silêncio cortava-me o reconforto das palavras. Matava a coragem. A tua, a minha. Reavivava a incapacidade de me sobrepôr a uma tristeza. Como não se não fosse capaz de caminhar. Não aliás, como se não fosse capaz de voar.
Eu acredito, o alarido da felicidade, sobrepõe-se no silêncio, e de resto só ouvirei um unico chorar. O chorar da guitarra dessas noites de fado ainda por viver.
-Eu sei, algures pela vida e surpreendentemente num caminho seguido e continuo há uma quebra. Clic'! Qual o tipo de sentimento? Arrependimento, ou talvez essa solidão ou aquele preconceito. De certeza aquela grande insegurança.
Vem, Passa, Vai, Volta.
Vem, Passa, Vai, Volta.
Vem, Passa, Vai, Volta.
Vem, Passa, Vai, Volta.
Vem, Passa, Vai, Volta.
Vem, traduz-se em sofrimento. Passa, acrescentando-se movimento. Vai, esvaza ainda mais o vazio. Volta, atormenta até à loucura.
Vem, O mundo já nem gira. Passa, clama-se pela resnascida felicidade. Vai, saboreia-se a vida. Volta, quebra-se a paz, predomina o silêncio.
Vem, o silêncio cala o delirio. Passa, levanta-se voo. Vai, Predomina a paz. Volta, desafina um violoncelo, há dor de queda, morte duma personalidade, imediata.
Um Tédio Proibido.
-De repente, reconheço esse silêncio. Invadio uma vida, um vazio.
Fecha-me a boca, rasga-me de voz.
Tenho a gargante vaga, oca. Já não sinto pássaros, já não sinto garras, já não sinto culpa.
Eu cheguei a tempo de ouvir o unico grito que não dei. Corri pela passagem do destino, para que chegasse antes do outrém. Antes que me roubassem inspiração, para que o meu silêncio não deixasse de ser intenso, para que mesmo incapaz de cantar, podesse ser purificado pelo teu ouvir.
Senhor Paciência, leva-me. Deixa que as horas voem, deixa desaparecer a preocupação, deixa que beije o teu silencio prometido.

-Fica.