Assustam-nos estes pensamentos, inserem-se em actos da nossa alma em que não podemos interferir. É frustrante. É frustrante fecharmos os olhos ao caminho que seguimos, apalpamos as pessoas á volta, voamos com o vazio, e de olhos fechados continuamos com os mesmos pensamentos que nos gritam num clamor ensurdecedor. Quem nos dera que eles pudessem viajar como as nossas mãos, não seria fantástico?
Hoje assusta-me o que a minha alma sinta, assusto quem me rodeia e convido-os que saiam da vida indirectamente. Ainda que sem intenção talvez seja isso que aconteça, porque a culpa continua traçada na pele e os contra-argumentos ainda mais fortalecem as ideias. É inevitável não acreditar. Só queria que o medo batesse asas e que levasse com ele a culpa.
Eu pressinto e tenho culpa do destino, tenho medo da culpa. Guio-me pela mentira e ilusão, assusto-me com a realidade e revivo a frustração do perder.
Estou ainda presa a um momento residente no passado. À muito que a minha garganta grita e o mundo não se apercebe de qualquer perturbação na atmosfera, ninguém sente a revolta com que o meu coração se depara. Ideias, sentimentos, memórias fustigam-me o ser. O amor já não pertence aos meus dotes.
