30 de abril de 2011

Quem arrisca...

Os amores à primeira vista nunca me pareceram plausíveis. Cegar-me perante uma cara e uma troca e meia de palavras, uma questão que não faz sentido, não tem qualquer senso no consciente, não é aceitável no subconsciente e é punido pelas ideias que respiro.
Para a minha pessoa cada passo que dou tem que ser escrito, cada acto é um contracto com a vida, cada sentimento é combinado com o destino.
Isto porque o medo proclama na mente e saborear a amargura dos erros não me faz adormecer em paz.
Mas porque a minha vida são momentos, porque nem os deuses decidem datas de morte, porque o coração não pressente nem adivinha quando se vai despedir do meu corpo, quero-o a palpitar ao ritmo da palavra Amor.
O sorriso começou irrequieto: um medo, uma certeza, um sentir, uma felicidade estonteante. Um sentimento que preenche cada espaço. Um voar de palavras sem significado, por uma surpresa ao aperceber do que toca nos meus dedos (teus).
E porque a vergonha me deixa muda, e o teu carinho me deixa cega, o sexto sentido remata dizendo:

Adoro-te. E se pudesse voar tal como esta palavra voa sobre os nossos destinos, eu voaria todas as noites até à lua e soletrava carinhos, para que chovesse um beijo no teu sonho.

3 de março de 2011

'Teaser'

Assustam-nos estes pensamentos, inserem-se em actos da nossa alma em que não podemos interferir. É frustrante. É frustrante fecharmos os olhos ao caminho que seguimos, apalpamos as pessoas á volta, voamos com o vazio, e de olhos fechados continuamos com os mesmos pensamentos que nos gritam num clamor ensurdecedor. Quem nos dera que eles pudessem viajar como as nossas mãos, não seria fantástico?

Hoje assusta-me o que a minha alma sinta, assusto quem me rodeia e convido-os que saiam da vida indirectamente. Ainda que sem intenção talvez seja isso que aconteça, porque a culpa continua traçada na pele e os contra-argumentos ainda mais fortalecem as ideias. É inevitável não acreditar. Só queria que o medo batesse asas e que levasse com ele a culpa.

Eu pressinto e tenho culpa do destino, tenho medo da culpa. Guio-me pela mentira e ilusão, assusto-me com a realidade e revivo a frustração do perder.

Estou ainda presa a um momento residente no passado. À muito que a minha garganta grita e o mundo não se apercebe de qualquer perturbação na atmosfera, ninguém sente a revolta com que o meu coração se depara. Ideias, sentimentos, memórias fustigam-me o ser. O amor já não pertence aos meus dotes.

8 de janeiro de 2011

Expressões de Pânico

Espera um segundo que acho que perdi o ponto da situação! Já sei viver um momento de cada vez, ao menos isso. Tenho noção de que sinto falta de! Sou vazia. Estou em manutenção constante, com o coração avariado, com o motor de magias e purpurinas quebrado. Qual sede de viver? Qual incapacidade de lutar? Afinal, qual vida?
O passado ainda toca, um 'ainda' eterno. Sou personalidade em função da história. Umas décadas soam a milénios. Perco-me em devaneios. Devaneio na magoa, procuro-a incansavelmente. Canso-me de perder o rumo, canso-me de fazer sentido. Preocupações soam a balas, melodias assassinas que atingem alvos, qual auto-estima? Um dia, permanece uma semana. Ai o tempo! O tempo piora o estado, que tumor maligno.
Gostava de sentir, tocar. Gostava de sorrir 'sem doer as faces', sem doer a alma. Adrenalina, gosto de adrenalina, impulsos eléctricos explodem como gritos. Sensações apoderam-se dum físico que se sente a irradiar, que se sente a iluminar. Os olhos pintam Gaudi, as minhas danças soletram Florbela Espanca. Que saudade.

Sinto falta de! Esta bala perfurou demais. DEMAIS: não é por acaso que 'saudade' é a única palavra sem tradução noutras línguas, até mesmo da língua do coração.

24 de dezembro de 2010

Carácter

É fazer a diferença, a cima de tudo o resto. Tal como os meus textos não são justificados, adquirindo forma natural. Tal como os sorrisos impressos em fotografias não entram na monotonia, e a simples forma de inclinar o pescoço dá o toque da minha autoria. Só eu mando naquele meu mundo, só eu dito as regras daquele meu jogo. Com ínfimos pormenores me destaco da população. Lenço. Colar. Brinco. Túnica. O gosto eleva auto-estima.
Sou Carolina. Sou Pequena. Sou uma vida entre tantas outras. Fui algo nos anos 80, um desconhecido elevado por teorias. Fui um feto no primeiro dos anos 90. Fui criança em 98, pré-adolescente no 11 de Setembro. Sou a pessoa de 2010, a desempregada de 2015. Sou geração de estudantes, trabalhadores, lutadores e cobardes.
Vivo com café depois do almoço, qual envenenada comida a minha. É doce, intenso sabor.
Vivo com música, cada milésimo de segundo. O tempo torna-se infinito só a meu pedido.
Vivo o momento da decisão, da conquista, da mudança. Gosto do imprevisível.
Chamei-me inspiração, registo-me pelas sardas. Chamo-me Esperança, penso ter ambição lá pelo meio.
Sou incompleta todos os dias, todas as alturas. Sou feliz.
Os sonhos é que me descrevem, os meus actos é que me caracterizam. Erro, sou humana. Remedeio-me com a vida que tenho, sou portuguesa. Vivos os sentimentos, vivo os segundos. Sou sofredora, festejo a noite, celebro dias.
Ambiciono o conhecimento, literatura é uma paixão e a minha completa-me a vida. Tardes de cinema, quase sempre. Na mão do meu futuro, cabem todos os lugares do mundo que sonho ir...
Repulso a pressão, evito responsabilidade mas lido com ela.
Sou criadora de histórias e de mundos, ás vezes vivo apenas no meu e não no da realidade.
Ser amada. Amar. Dar tudo pelos bocadinhos, aventura. Adrenalina.

EU sou só mais uma.

C.G.

1 de dezembro de 2010

'José e Pilar'

'É o palco do tempo
Sem tempo a mais
São voltas ás voltas
Por querer sempre mais

É um verso atrás
Um degrau que não viu
São curvas as rectas
Num final não vazio

É o palco do tempo
Sobre o tempo a mais
São voltas à espera
Que não vivendo mais.'

Noiserv

27 de novembro de 2010

Assassina em fuga

Sou assassina, deu-se a morte da esperança. Prendeu-se na guitarra, no tilintar do sorriso que ao desvanecer matou a réstia de vida. Porque o beijo se esconde na insegurança. Porque a esperança se finda em saudade. Porque o novo caminho se abria sobre o movimento do toque.
Porque o toque já não te sente nem te recolhe no meu abraço.
 
Fim Ponto! :)

15 de novembro de 2010

Palavras Rasgadas.

Vi-me do outro lado. Entre nós estava uma substância transparente, maleável, com reflexo. Era eu elevada a três, com o reflexo. Era uma multidão atrás do outro 'mim'. Era meia dúzia de sensações no meu corpo, a irradiar dos dedos, a irradiar dos olhos, a formar um sorriso. A carregar numa ruga de expressão que possuo na testa.
Vejo todo um mundo de borboletas, todo um mundo de fantasia. Todo um mundo de palhaçada e estupidez. Vejo quem já vi e nunca notei, vejo quem está comigo todos os dias e noto demais. Vejo quem nunca vi e gostava de ver. Quem não me vê, e...
Parece-me uma linha de esperança, um flutuar. Transpiro coisas. Acabei de me perder com uma imagem, com as sensações que ela me trouxe.

Confusão.. Contagiante, viciante!

'We're living in a den of thieves
Rummaging for answers in the pages
We're living in a den of thieves
And it's contagious
And it's contagious, us' 

Regina Spektor